PURISM: VEM AÍ UM TELEMÓVEL COM LINUX “PURO”?

A empresa de hardwarePurism, patenteou-se por providenciar “privacidade e segurança de alta qualidade”, assim como software e computadores alicerçados no princípio fundamental da “liberdade”. Agora, ao que tudo indica, poderá estar em vias de dar o salto para a produção de smartphones com o lançamento do seu primeiro telemóvel com Linux e sem código proprietário.

Não obstante o facto de, à data, o equipamento ser ainda uma ideia em desenvolvimento, a verdade é que a empresa publicou por acidente um post onlineintitulado “Phone Campaign Temporary Page” (“Página Temporária da Campanha do Telemóvel”). Porém, foi impossível desvendar quaisquer informações adicionais, visto que o acesso ao post em questão [agora indisponível] estava limitado pela proteção de uma password.

Ainda assim, a Purism já tinha manifestado publicamente o seu desejo de criar um telemóvel open-source com Linux e sem código proprietário. Tão público era esse intuito que havia sido inclusivamente lançado, pela própria marca, um inquérito preliminar destinado a estimar as principais expectativas e funcionalidades que os consumidores gostariam de ver no dispositivo móvel.

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A crescente ameaça à privacidade

As ameaças associadas à utilização das câmaras e microfones de computadores comuns como mecanismos de espionagem, invasão de privacidade ou meramente captação de conteúdo sem conhecimento do utilizador, não só têm crescido em número nos últimos anos como têm adquirido cada vez mais a atenção dos meios de comunicação.

A empresa suíça de segurança informática, Mondzeropublicou recentemente resultados que documentam uma falha nos portáteis HP: um driver de áudio que consegue captar o som de cada clique no teclado, salvando as gravações num ficheiro não encriptado no sistema local, o que pode permitir a monitorização do que o utilizador escreve em tempo real.

Portátil HP

O caso ocorrido nos EUA de uma mulher que, para sua surpresa, recebeu via emailfotos suas nua quando, ao que garante, nunca as havia tirado, também chamou a atenção para esta questão. Posteriormente, o FBI localizou o culpado: Jared Abrahams, um colega de secundário da vítima que possuía no seu computador software que lhe permitiu espiá-la ilicitamente – a ela e a outras mulheres.

Shodan – que se apresenta como o primeiro motor de busca para dispositivos ligados à Internet – lançou há um ano uma ferramenta que permite a qualquer utilizador aceder a câmaras CCTV, publicamente disponíveis, em qualquer parte do mundo. Recentemente, a empresa lançou para o público imagens “congeladas” provenientes dessas mesmas câmaras, tornando o ato de navegar pela vida pública e privada de indivíduos aleatórios algo tão simples como escolher uma série a partir de um catálogo da Netflix.

Webcam Shodan

A Shodan permite aos seus utilizadores acederem livremente às CCTV desprotegidas de outros utilizadores. Aqui vemos uma imagem de webcam de uma mulher em Hong Kong.

É no sentido de contornar estes problemas, através dos produtos que comercializa, que a Purism procura reger o seu trabalho. Não obstante a sua pequena dimensão, esta é uma marca que procura diferenciar-se das restantes precisamente por via da garantia da liberdade e absoluta privacidade aquando da utilização do seu software, distanciando-se assim da ideia de que o utilizador nunca sabe a 100% quanta da sua informação pessoal está a ser divulgada quando utiliza um objeto tão quotidiano como um computador.

Foi também sobre estes alicerces que a marca desenvolveu a sua linha de portáteis Librem e, ao que parece, é sobre os mesmos que promete lançar-se no campo da produção de smartphones.

Portáteis Librem Purism

Um dos portáteis da linha Librem

Críticas à Purism

Não obstante a proposta apelativa (e agradável aos ouvidos) da marca Purism – que promete ter sempre em conta o princípio fundamental da liberdade no seu trabalho e oferta – os seus portáteis Librem, e todo o software criado até à data pela marca, têm sido considerados excessivamente “idealistas”, sendo alvo de controvérsia na comunidade open source.

O compromisso filosófico da Purism eleva, sem dúvida alguma, a fasquia; a empresa promete usar única e exclusivamente software livre e open-source. Passando a citá-la em declarações oficiais: “Nós prometemos que o sistema Purism e todos os seus componentes serão livres de acordo com as mais estritas diretrizes estabelecidas pela Definição do Software Livre da Free Software Foundation”.

Estas afirmações por parte da Purism podem ser consideradas algo ousadas, posto que a Free Software Foundation tem, efetivamente, diretrizes bastante rígidas.

Além disto, os planos iniciais para o computador Purism Librem 15 prometiam uma GPU (vulgo placa gráfica) Nvidia, que em nada era “free software friendly”. Rapidamente, revisões forçaram à inclusão de uma gráfica Intel em substituição do equipamento da Nvidia.

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Numa verdadeira Era Digital, em que a exposição pessoal, a par da abertura ao mundo exterior, é inquestionavelmente muito maior do que há uns anos atrás – algo que fica, também, muito associado à proliferação das redes sociais – aumenta paralelamente a preocupação com a privacidade quando se usa tecnologia. O problema não é necessariamente escolhermos aquilo que expomos online, posto que isso parte do livre-arbítrio, da decisão e da consciência de cada um e – juízos de valor à parte – a cada qual diz respeito.

Toda a questão já abordada em torno da privacidade foca-se, acima de tudo, no perigo que é não sabermos ao certo a quantidade de informação (pessoal ou pública) que é exposta através de dispositivos que utilizamos regularmente, a quem chega e como lá chega, com ou sem a nossa permissão.

Fonte: https://espalhafactos.com/

Alberto M. Sato

Engenheiro de Eletrônica e Telecomunicações (CEFET-PR 88), com certificado da Cisco CCNP (Cisco Certified Network Professional), tendo atuado por 11 anos na Telepar / BrasilTelecom nas áreas de te...

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